Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. II Co.4:7O TESOURO E VASO DE BARRO
Paulo compara o milagre da regeneração a uma luz que brota repentinamente das trevas. Essa luz é o Evangelho da salvação que toca o homem sem nenhum ruído, sem nenhum barulho, mas que é inconfundível. Quem é tocado por esse Evangelho é iluminado pelo conhecimento da glória de Deus. Contudo o cristianismo não pára só na conversão e na regeneração. O cristianismo verdadeiro e autêntico é toda uma vida a ser vivida, uma vida plena sem fugas e sem derrotas. O apóstolo chega ao ponto de dizer: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. Esse texto nos leva a tomar consciência de algumas realidades importantes da vida cristã.
A primeira realidade é de que somos apenas vasos de barro. Está escrito “temos esse tesouro em vasos de barro”. O material básico com que Deus trabalha é comparado a um vaso de barro. O profeta Jeremias no velho testamento usou a figura do vaso do oleiro, se referindo a Israel. Assim como o oleiro pegava o pedaço de barro e fazia um vaso e depois desmanchava e fazia outro, assim também Deus tinha o poder de fazer com o seu povo. Talvez não tenhamos pensado em nós mesmos como vasos, mas trata-se do conceito essencial e fundamental da idéia bíblica a respeito do homem. Para que serve os vasos? Basicamente são recipientes em que se coloca alguma coisa. Os vasos tais como panelas, xícaras, copos e garrafas que usamos em casa têm por finalidade conter alguma coisa. Quando não há nada neles, naturalmente estão vazios. Esse texto nos lembra que temos por finalidade conter alguma coisa. E o que deveríamos conter? Muitas vezes as pessoas tem se lançado numa busca da sua própria identidade. A maioria das pessoas exibe uma casca exterior de atividade e interesse, quando por dentro não há nada, a não ser um vazio ressonante. As Pessoas foi criado para conter Deus dentro de si, conter o todo Poderoso, conter toda a divindade! Paulo está dizendo que por maior que seja o privilégio do cristão, ele é mortal e está sujeito às circunstâncias da vida, tendo um corpo com toda a sua debilidade e dor.Por mais que o homem tenha crescido na tecnologia e no conhecimento científico, ainda assim o que caracteriza o homem não é o seu poder, mas sim, a sua fraqueza.
A segunda realidade é de que há um tesouro escondido. Deus fez o homem para ser recipiente das riquezas mais notáveis que se conhece, mas deve ficar sempre muito claro que o poder não vem do próprio homem, mas sim de Deus. Ele tem a intenção de mostrar o seu poder, sabedoria e amor nos seus filhos. Em Coríntios 1:27-29, Paulo diz: “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios; as coisas fracas para envergonhar as fortes, as humildes para reduzir as que são, afim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” Dentro de cada cristão, há um tesouro inestimável e inenarrável. Somente os cristãos com vaso que realmente entenderam o Evangelho de Cristo e aceitaram o mesmo, não se envergonhando dele é que têm esse tesouro. Paulo fala da riqueza da glória deste mistério - Cristo em vós. Cabe a cada cristão aprender a utilizar esse tesouro interior. Tesouro escondido - Cristo em nós - isso é tão valioso que o mundo pagaria qualquer preço para obtê-lo. Cristo em nós é o segredo que a humanidade perdeu. Paulo foi uma dessas pessoas que experimentou em sua vida o que é ter esse tesouro dentro de si. Ele percorreu todo o mundo de seus dias proclamando o que ele chamava de as insondáveis riquezas de Cristo.
A terceira e última realidade são de que há um poder diferente. Um poder que transcende a tudo. Está acima do comum. É um poder do Alto, do Eterno, do Pai das luzes. Muitas vezes o homem usa o poder que tem para destruir, explodir ou esmagar. Mas o poder transcendente, que é Cristo em nós derruba barreiras, quebra divisões, une pessoas e traz harmonia. Esse poder opera a partir de dentro, produzindo vida e transformações permanentes. Não existe nada que se possa comparar ao poder de Cristo em nós. Deus em sua grande sabedoria confiou esse poder aos seus filhos, ou seja, aos que já se renderam aos pés de Cristo, ainda que sejam eles falhos, fracos e pecadores, tudo isso para ficar bem claro que esse poder se origina não neles, mas em Deus. O maior tesouro, o mais valioso de todos os tesouros dentro de vasos de barro. Cabe ao homem aceitar e submeter-se humildemente a esse paradoxo.
Eduardo Felício
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